O início da colheita do café transformou o interior capixaba no principal motor da geração de empregos no Espírito Santo. Com milhares de trabalhadores contratados para atender à safra, o estado registrou, em maio, o melhor desempenho do mercado formal de trabalho dos últimos três anos: foram 9.532 novos empregos com carteira assinada, resultado que também contou com o crescimento dos setores de serviços e comércio e destacou a importância da atividade cafeeira para a economia estadual.
As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O saldo representa o melhor resultado mensal desde maio de 2023 e foi impulsionado pela agropecuária, responsável por 9.183 das vagas criadas no mês. A maior parte dessas contratações está relacionada ao início da colheita do café, principal commodity agrícola capixaba, que amplia significativamente a demanda por trabalhadores temporários nas propriedades rurais e em toda a cadeia produtiva.
Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os números mostram como a cafeicultura influencia diretamente o mercado de trabalho e movimenta diferentes setores da economia.
“A safra impulsiona o transporte, a armazenagem, a logística, o comércio e diversos serviços ligados à cadeia produtiva. Esse resultado demonstra a força dessa atividade para a geração de emprego, renda e circulação de recursos, especialmente nos municípios do interior”, afirmou.
Além da agropecuária, o setor de serviços criou 614 empregos formais em maio, enquanto o comércio encerrou o mês com saldo positivo de 68 vagas. No acumulado de janeiro a maio, o Espírito Santo soma 26.011 empregos formais, crescimento de 7,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Com o resultado de maio, o Espírito Santo passou a contabilizar 942.217 vínculos formais de trabalho com carteira assinada, volume 1,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. A expansão do estoque de empregos foi impulsionada principalmente pelo setor terciário, que criou 15.361 postos de trabalho no período. No comércio, o número de vínculos formais cresceu 2,6%, enquanto nos serviços o avanço foi de 2,2%. Juntos, os dois segmentos somaram 661.766 vínculos formais.
De acordo com o levantamento do Connect Fecomércio-ES, o avanço do emprego teve forte concentração fora da Grande Vitória. Os municípios do interior responderam por 8.364 vagas, o equivalente a 87,7% de todos os empregos criados no estado em maio.
Sooretama liderou o ranking estadual, com 1.826 novos postos, seguido por Jaguaré (1.560), Linhares (1.181) e Vila Valério (1.093), cidades diretamente beneficiadas pela expansão das atividades ligadas à cafeicultura. Na Região Metropolitana, Vitória apresentou o melhor desempenho, com saldo de 884 empregos, seguida por Serra (180), Cariacica (133) e Vila Velha (109).
Para André Spalenza, a distribuição das vagas demonstra como o agronegócio exerce papel decisivo na interiorização do desenvolvimento econômico. “O crescimento do emprego formal amplia a renda das famílias e a circulação de recursos justamente em municípios onde a cafeicultura possui grande relevância econômica. Ao mesmo tempo, a formalização dessas contratações representa mais proteção aos trabalhadores e contribui para reduzir a informalidade no meio rural”.
Recorde histórico na cafeicultura
O desempenho da Agropecuária também chama atenção pela perspectiva histórica. O cultivo de café respondeu sozinho pela criação de 6.527 empregos formais, o maior saldo já registrado pela atividade desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020. Segundo dados do Incaper, a cafeicultura representa cerca de 37% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária capixaba, sendo uma das atividades econômicas mais importantes do estado.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e diretor de Relações Institucionais da Fecomércio-ES, Marcus Magalhães, explicou que a safra provoca um intenso fluxo de trabalhadores entre diferentes regiões do país.
“Durante três a cinco meses, milhares de trabalhadores percorrem diferentes regiões para transformar a safra do café em renda para suas famílias. Além da mão de obra local, recebemos pessoas de outros estados, principalmente do Nordeste e do sul da Bahia. Quando a colheita termina, elas retornam para suas cidades levando os recursos obtidos aqui, em um movimento que se repete há décadas e faz parte da dinâmica da cafeicultura”.

































































