Quem pesquisa antes de passar pelo caixa pode encontrar diferenças significativas nos preços dos produtos básicos na capital capixaba. O arroz tipo 1, por exemplo, foi encontrado entre R$ 18,99 e R$ 23,99 nos estabelecimentos pesquisados pelo Procon Vitória em setembro. O feijão preto variou de R$ 6,49 a R$ 9,49, enquanto o quilo do acém bovino sem osso foi encontrado entre R$ 36,90 e R$ 47,99. Os dados fazem parte da pesquisa mensal de 65 itens de primeira necessidade realizada pelo órgão.
Além da diferença entre estabelecimentos, o levantamento mostra comportamentos distintos ao longo do tempo. O menor preço do arroz subiu 0,48% entre agosto e setembro, passando de R$ 18,90 para R$ 18,99. É a continuidade de uma trajetória de alta ao longo de 2026: em janeiro, o produto custava R$ 14,99, o que representa aumento de 26,68% até setembro. Na comparação com setembro de 2025, quando o menor preço era R$ 17,95, a alta chega a 5,79%.
O feijão preto, por sua vez, apresentou movimento contrário no último mês. O menor preço caiu 6,89%, de R$ 6,97 em agosto para R$ 6,49 em setembro. Mesmo com a redução recente, o produto permanece 32,72% mais caro do que em setembro do ano passado, quando custava R$ 4,89. Na comparação com janeiro de 2026, o aumento é de 41,39%.
Entre as carnes, o acém bovino sem osso também chama atenção. O menor preço passou de R$ 35,98 em agosto para R$ 36,90 em setembro, alta de 2,56%. Em 12 meses, o aumento chega a 27,68%, saindo de R$ 28,90 em setembro de 2025. Desde o início deste ano, o avanço é de 23,41%, já que o menor preço registrado em janeiro era de R$ 29,90.
A diferença entre os estabelecimentos também merece atenção. No caso do acém, a distância entre o menor e o maior preço encontrado chega a R$ 11,09 por quilo, uma variação de 30,05%. Para o feijão, a diferença é de R$ 3,00, ou 46,22%. Já o arroz apresenta diferença de R$ 5,00 entre o menor e o maior preço, uma variação de 26,33%.
O comportamento das aves foi diferente. O frango inteiro congelado praticamente não mudou no comparativo anual, passando de R$ 12,98 para R$ 12,99, enquanto o filé de peito registrou queda de 14,16% em 12 meses, de R$ 19,78 para R$ 16,98. Na comparação mensal, o filé também caiu 26,14%, de R$ 22,99 para R$ 16,98.
O café em pó de 250 gramas também trouxe algum alívio ao orçamento. O menor preço passou de R$ 9,95 em agosto para R$ 8,95 em setembro, redução de 10,05%. Em relação a setembro de 2025, quando custava R$ 11,98, a queda acumulada é de 25,29%.
Diferenças entre lojas podem pesar no bolso
A pesquisa mostra que não basta observar apenas a variação de um mês para outro. A comparação entre os nove estabelecimentos visitados pelo Procon revela diferenças expressivas para um mesmo produto.
A maior disparidade foi encontrada na banana-prata, com variação de 351,76%: o quilo custava R$ 1,99 no estabelecimento com menor preço e chegava a R$ 8,99 em outro local. A laranja-pera apresentou diferença de 301,01%, com preços entre R$ 1,99 e R$ 7,98.
Também chamaram atenção a salsa e a esponja de aço, ambas com variação de 136,09%. A salsa foi encontrada entre R$ 1,69 e R$ 3,99, enquanto a esponja de aço, com oito unidades, variou dos mesmos R$ 1,69 a R$ 3,99.
Na comparação entre agosto e setembro, a batata inglesa apresentou a maior alta entre os itens pesquisados, de 74,94%, passando de R$ 3,99 para R$ 6,98. Já o suco pronto para beber registrou redução de 34,70%, de R$ 5,59 para R$ 3,65.
No hortifrúti, a oscilação também foi significativa. Tomate e cenoura tiveram altas de 16,89% e 16,69%, respectivamente, enquanto laranja e banana-prata recuaram 33,44% cada na comparação mensal. Entre os produtos de higiene pessoal, o creme dental subiu 36,55%, enquanto o shampoo infantil caiu 32,67%.
Cebola dispara em um ano
Na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026, a cebola foi o produto que apresentou a maior alta entre os 65 itens analisados. O menor preço passou de R$ 1,79 para R$ 6,49, aumento de 262,57%.
Na outra ponta, a laranja-pera apresentou a maior redução no período, de 50,13%, passando de R$ 3,99 para R$ 1,99.
Quando a comparação é feita com janeiro deste ano, a cebola também lidera entre as altas: passou de R$ 2,98 para R$ 6,49, aumento de 117,79%. O suco pronto para beber teve a maior redução, de 35,74%, passando de R$ 5,68 para R$ 3,65.
Série histórica
A análise da série histórica revela um cenário misto. Embora o arroz esteja em trajetória de alta em 2026, o menor preço de setembro, de R$ 18,99, ainda está abaixo dos R$ 23,98 registrados no início da série, em janeiro de 2025. O dado, porém, merece atenção porque o produto saiu de R$ 14,99 em janeiro deste ano e chegou a R$ 18,99 em setembro.
Outros produtos apresentam trajetória diferente. O azeite de oliva extra virgem, por exemplo, caiu de R$ 48,90 no início de 2025 para R$ 27,80 em setembro de 2026. O alho também permanece abaixo do preço registrado um ano antes: passou de R$ 23,99 em setembro de 2025 para R$ 19,80 neste mês.
Na direção oposta, a carne bovina e o queijo muçarela romperam a tendência de queda observada em determinados períodos. O acém bovino passou de R$ 29,90 em janeiro para R$ 36,90 em setembro, enquanto o queijo muçarela subiu de R$ 29,98 para R$ 43,90 no mesmo intervalo.
Cesta de itens de primeira necessidade tem leve redução
Considerando os 65 produtos pesquisados, o custo total da chamada Cesta de Itens de Primeira Necessidade passou de R$ 733,37 em agosto para R$ 730,32 em setembro, uma redução de 0,42%.
Com o salário-mínimo de R$ 1.621,00 vigente em 2026, a aquisição dos 65 itens corresponde a 45,05% da remuneração, ante 45,24% em agosto.
Já a Cesta Básica, composta por 13 itens de alimentação segundo os critérios da Ração Essencial Mínima, ficou em R$ 756,35 em setembro. O valor corresponde a 46,66% do salário-mínimo e representa aumento de 9% em relação ao mês anterior, quando comprometia 42,81% da remuneração.
Capacidade de escolha do consumidor
Para o secretário municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, Luciano Forrechi, a pesquisa contribui para ampliar a capacidade de escolha do consumidor.
“Em um cenário de preços tão diferentes entre os estabelecimentos, pesquisar antes de comprar deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a ser uma ferramenta importante para o orçamento familiar. O trabalho do Procon ajuda o consumidor a identificar essas diferenças e a tomar decisões mais conscientes”, destacou.
O gerente do Procon Vitória, Breno Panetto, reforça que a pesquisa deve ser utilizada como referência no planejamento das compras.
“Os números mostram que um mesmo produto pode apresentar diferenças expressivas de preço de um estabelecimento para outro. Por isso, recomendamos que o consumidor consulte a pesquisa, compare os valores e observe também quantidade, qualidade, validade e condições de armazenamento. Uma diferença de poucos reais em vários produtos pode representar uma economia significativa no final da compra”, explicou.
Pesquisa e planejamento ajudam a economizar
O Procon Vitória recomenda que o consumidor pesquise os preços em diferentes estabelecimentos antes de realizar as compras e planeje previamente os produtos que serão adquiridos. Também é importante avaliar se uma promoção representa, de fato, economia e comparar peso, quantidade e qualidade antes de escolher.
Entre as orientações estão ainda verificar a procedência dos produtos, observar as datas de validade e as condições de armazenamento e priorizar itens com melhor relação entre custo e benefício, evitando compras por impulso.
A pesquisa foi realizada presencialmente pelo Núcleo de Economia do Procon Vitória entre 31 de agosto e 2 de setembro, em nove estabelecimentos de diferentes regiões administrativas do município. Os preços refletem o período da coleta e podem sofrer alterações em razão de promoções, descontos e diferenças entre unidades de uma mesma rede.

































































