A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta última terça-feira (29) a ‘Operação Raio X’, que apura suposto desvio de recursos do Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia (Conter) por meio da contratação irregular de três escritórios de advocacia. A ação, requerida pelo Ministério Público Federal (MPF) e autorizada pela Justiça Federal, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Distrito Federal, na Bahia, em Pernambuco e em São Paulo. A PF também informa mandados no Espírito Santo. As diligências alcançaram residências, escritórios de advocacia e a sede do Conter sediada no Distrito Federal.
Além das buscas, a Justiça determinou o afastamento cautelar de três dirigentes do conselho por 180 dias e a proibição de contato entre eles durante a investigação. O MPF e a PF não divulgaram os nomes dos afastados nem dos demais alvos.
Contratos e valores
Segundo o MPF, as apurações indicam que as três bancas foram contratadas em curto espaço de tempo, sem justificativa legal e de forma direcionada. Os pagamentos aos escritórios somam mais de R$ 3,5 milhões desde 2023. O órgão afirma ainda que as firmas tinham ligação com os dirigentes investigados e ajuizaram ações para garantir a posse dos três na última eleição da diretoria do Conter, processo questionado na Justiça.
A PF informa que os recursos repassados aos escritórios teriam sido transferidos depois entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos investigados, por meio de sucessivas operações financeiras. A corporação também apura possíveis pagamentos feitos antes da formalização dos contratos e a contratação, sem licitação, de um escritório constituído pouco tempo antes de prestar serviços ao conselho.
Crimes investigados
Os fatos podem configurar peculato, contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e associação criminosa, conforme o MPF. A PF cita peculato, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos que surjam ao longo da apuração. Segundo a corporação, as diligências buscam esclarecer a legalidade das contratações, a efetiva prestação dos serviços e o destino do dinheiro.
Bens e perícia
Foram apreendidos documentos e equipamentos como celulares, computadores e HDs, além de eventuais valores encontrados. A Justiça autorizou o acesso e a perícia do conteúdo armazenado nos aparelhos, com quebra de dados telemáticos. A decisão também determina o sequestro de um apartamento em Lauro de Freitas (BA), adquirido, segundo o MPF, com recursos que são objeto da investigação.
Histórico
Os contratos com escritórios de advocacia já eram alvo de questionamento. Em fevereiro de 2024, o MPF no Distrito Federal expediu a Recomendação nº 2/2024 sobre quatro contratos de advocacia firmados pelo Conter em 2023, que somam R$ 3.557.030,00, no âmbito de procedimento investigatório criminal. Em junho de 2026, o Tribunal de Contas da União (TCU), no Acórdão nº 1601/2026, apontou que a contratação direta sem justificativa de preço e de singularidade do serviço afronta a Lei de Licitações, sem aplicar sanção pessoal.


































































