O café produzido em Pinheiros vem ganhando cada vez mais destaque pela sua qualidade. Mais do que uma importante atividade econômica do município, a cafeicultura local passa por um processo de transformação, com produtores investindo em conhecimento, aperfeiçoamento das técnicas de produção e busca por cafés especiais. Essa evolução fica evidente no Concurso de Qualidade do Café de Pinheiros, que neste ano novamente reuniu produtores e amostras de alto nível. Para Joesse Junior, do Incaper, a edição surpreendeu positivamente pela qualidade apresentada.
Segundo ele, o município manteve uma média considerada muito boa de participação de produtores e de amostras, mas o principal destaque esteve nos perfis sensoriais encontrados.“Foi um dos melhores concursos que eu já vi de perfis sensoriais, com cafés muito bons, notas aromáticas e sabor muito agradável ao paladar”, destacou Joesse.
Um café com identidade própria
Entre os aspectos que mais chamaram a atenção nesta edição está a identidade do café produzido no município. De acordo com o representante do Incaper, os cafés de Pinheiros apresentam características sensoriais marcantes e próprias, relacionadas ao território local. “O perfil sensorial do café de Pinheiros tem características muito marcantes e muito próprias do município. Isso pode ser um diferencial de venda”, explicou. A percepção reforça uma mudança importante na forma como a cafeicultura de Pinheiros vem sendo enxergada: o conilon não é valorizado apenas pelo volume produzido, mas também pela capacidade de entregar qualidade, identidade e valor agregado.
De quantidade para qualidade
Essa transformação vem sendo construída ao longo dos últimos anos. O Concurso de Qualidade do Café de Pinheiros foi criado em 2019 justamente com o desafio de mostrar que o conilon produzido no município poderia alcançar níveis cada vez maiores de qualidade. Desde então, os resultados demonstram uma evolução significativa. Na primeira edição, o café vencedor ainda não atingia 80 pontos. Anos depois, os cafés participantes passaram a apresentar pontuações cada vez mais altas. Em 2025, por exemplo, o campeão alcançou 85 pontos, enquanto os dez primeiros colocados ultrapassaram a marca de 82 pontos. Para Joesse, essa evolução é resultado de um conjunto de fatores, principalmente da assistência técnica, do conhecimento e da disposição dos produtores em aperfeiçoar seus processos.“O ideal é que os produtores estejam entendendo como replicar o processo. Eles entendem todo o processo e conseguem replicar, conseguindo manter um padrão”, afirmou.
Tricampeonato mostra consistência
Outro destaque do concurso deste ano foi o produtor campeão, que conquistou o título pela terceira vez , A vencedora da sétima edição foi Ilca de Souza Gonçalves que, junto com o filho Igor de Souza Gonçalves, de 33 anos, produz café no Assentamento Olinda 2, próximo ao distrito de São João do Sobrado, em Pinheiros. Foi a terceira vitória da família no concurso. Para o Incaper, o resultado demonstra não apenas excelência, mas também consistência.Manter um café de alto padrão ao longo de diferentes edições mostra que o produtor conseguiu transformar técnicas e conhecimento em um processo capaz de ser repetido, garantindo qualidade safra após safra. E essa evolução não está restrita a um único produtor. Outros cafés também vêm mantendo um padrão elevado, sinalizando que o conhecimento adquirido está se espalhando entre os cafeicultores do município.

O café que vai além da porteira
A evolução da cafeicultura faz parte de um movimento maior vivido por Pinheiros. Em análise publicada recentemente pelo Conexão Safra, o município é apresentado como um território que vem buscando não apenas produzir mais, mas produzir melhor, agregar valor e criar oportunidades para que a riqueza permaneça próxima de quem produz. Um dos próximos passos é justamente aproximar o produtor do consumidor. A implantação de uma minitorrefadora anunciada durante a Pinheiros AgroShow pretende permitir que o cafeicultor possa torrar, moer, embalar e comercializar seu próprio café dentro do município, avançando da produção da matéria-prima para a criação de um produto com identidade e marca.É um movimento que amplia as possibilidades para o produtor e fortalece a ideia de que o agronegócio não termina na porteira.
O município possui uma agricultura diversificada, mas o café ocupa um espaço importante nessa história. E os resultados dos concursos mostram que Pinheiros vem construindo uma identidade própria na produção de conilon de qualidade.O desafio agora é transformar essa qualidade em ainda mais reconhecimento, valorização e oportunidades de mercado.Com produtores mais preparados, assistência técnica, concursos que estimulam a excelência e iniciativas voltadas à agregação de valor, Pinheiros mostra que seu café tem potencial para conquistar novos mercados sem perder aquilo que o torna único: a identidade construída no território e pelas mãos de quem produz.
A cada safra, a qualidade ganha espaço. E, a cada concurso, Pinheiros confirma que não quer apenas ser reconhecido pela quantidade de café que produz, mas pela qualidade, pelo sabor e pela identidade do café que nasce em seu território.




































































