A identificação de áreas onde pode existir risco de exposição a carrapatos é uma etapa importante para proteger a população e orientar as medidas de prevenção contra a febre maculosa. Em Boa Esperança, uma investigação epidemiológica foi realizada nos dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2026, nas localidades de Beira Rio e Cruzeiro, com a coleta de carrapatos encontrados no ambiente.
A atividade contou com a participação de duas técnicas da Vigilância Epidemiológica Estadual, integrantes da equipe da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), e duas técnicas da Vigilância Ambiental Municipal. O trabalho conjunto permitiu ampliar a investigação nas áreas relacionadas à ocorrência de casos de febre maculosa e reunir informações que serão utilizadas pelas equipes de saúde para avaliar o cenário epidemiológico do município.
Durante as visitas de campo, foram realizadas coletas de carrapatos de vida livre por meio das técnicas de arrasto e bandeira. Os métodos permitem localizar os artrópodes presentes na vegetação e no solo, possibilitando a retirada cuidadosa dos espécimes e seu posterior encaminhamento para análise.
Investigação ajuda a conhecer o cenário das áreas avaliadas
A coleta de carrapatos é uma ferramenta utilizada pela vigilância epidemiológica para identificar as espécies presentes em determinada região e verificar, por meio de análises laboratoriais, a eventual presença de agentes infecciosos de importância epidemiológica.
Os exemplares recolhidos em Boa Esperança serão encaminhados inicialmente ao Núcleo de Entomologia Médica do Espírito Santo (NEMES) para identificação taxonômica. Posteriormente, os espécimes serão submetidos à análise biomolecular no Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (LACEN).
A integração dessas informações permitirá às equipes de saúde compreender melhor a presença e a distribuição dos carrapatos nas localidades investigadas, além de avaliar possíveis agentes relacionados à febre maculosa.
Para a investigação, também são registrados dados como local e data da coleta, condições ambientais e técnica utilizada. Essas informações ajudam os profissionais a relacionar a presença dos carrapatos às características de cada ambiente e ao contexto epidemiológico observado.
Prevenção começa com atenção ao ambiente
A investigação também reforça a importância dos cuidados de prevenção para quem vive, trabalha ou circula em áreas onde há possibilidade de presença de carrapatos.
Entre as medidas recomendadas estão o uso de roupas que protejam a maior parte do corpo, especialmente durante a permanência em áreas de vegetação; a inspeção cuidadosa do corpo após o contato com esses ambientes; e a retirada adequada de carrapatos, caso sejam encontrados.
A população também deve permanecer atenta ao surgimento de sinais e sintomas compatíveis com a febre maculosa após uma possível exposição. Nesses casos, é importante procurar imediatamente um serviço de saúde e informar sobre a possível exposição a carrapatos, contribuindo para que a equipe possa realizar a avaliação adequada.
Vigilância integrada para orientar novas medidas
A identificação do Local Provável de Infecção (LPI) é um elemento importante para direcionar as ações de vigilância e controle. A partir das informações produzidas pela investigação, podem ser intensificadas as orientações à população, a vigilância de casos humanos e a busca ativa de pessoas que tenham sido expostas.
Em Boa Esperança, o trabalho realizado pelas equipes municipal e estadual representa uma ação integrada de vigilância, unindo atividades de campo, identificação laboratorial e análises biomoleculares para ampliar o conhecimento sobre as áreas investigadas.
Os resultados das análises serão utilizados pelas autoridades de saúde para subsidiar a avaliação epidemiológica e, quando necessário, orientar novas medidas de prevenção e acompanhamento. O trabalho reforça a importância da atuação articulada entre município e Estado para antecipar riscos, orientar a população e fortalecer a proteção da saúde dos moradores de Boa Esperança.
Atenção aos sinais e sintomas
Além dos cuidados para evitar a exposição aos carrapatos, é importante que a população conheça os principais sinais e sintomas da febre maculosa. A doença pode começar de forma semelhante a outras infecções, por isso a informação sobre uma possível exposição a carrapatos é fundamental para auxiliar na avaliação realizada pelos profissionais de saúde.
Entre os sinais e sintomas mais comuns estão febre de início súbito, dor de cabeça intensa, dores musculares, mal-estar, cansaço, náuseas e vômitos. Também pode surgir manchas avermelhadas na pele (exantema), que podem aparecer alguns dias após o início da febre. Outros sintomas podem ocorrer, dependendo da evolução da doença.
A recomendação é que, diante do surgimento desses sintomas, especialmente após a permanência em áreas com possibilidade de presença de carrapatos, a pessoa procure imediatamente um serviço de saúde e informe ao profissional sobre a possível exposição. O atendimento e o início oportuno do tratamento são fundamentais diante de uma suspeita de febre maculosa.
A população deve evitar a automedicação e não esperar o agravamento dos sintomas para buscar atendimento. A informação sobre onde a pessoa esteve e se houve contato ou possível contato com carrapatos pode contribuir para que a equipe de saúde considere essa possibilidade durante a avaliação clínica.




































































