Carla Zambelli | Foto: Divulgação
Em meio a uma profunda crise institucional e após intensos embates entre os Poderes, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) formalizou hoje (14) a renúncia ao seu mandato parlamentar. A informação foi confirmada pela Câmara dos Deputados, depois que Zambelli entregou uma carta de renúncia à Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Casa.
Contexto político e judicial
Zambelli, aliada de longa data do ex-presidente Jair Bolsonaro e uma das parlamentares mais proeminentes do PL, estava presa na Itália desde julho, após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Nos últimos dias, a crise ganhou nova dimensão: o plenário da Câmara rejeitou um pedido de cassação do mandato de Zambelli, contrariando uma determinação judicial do STF que havia decidido pela perda automática do cargo após a condenação, e que havia sido posteriormente anulada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Essa votação, em que 227 deputados decidiram manter o mandato, provocou grande repercussão política e manifestações em várias cidades brasileiras — com críticas de setores que acusam o Parlamento de desafiar o Judiciário.
Renúncia e motivações oficiais
Para justificar sua saída, Zambelli destacou, em nota oficial, que “segue viva e que o Brasil continuará ouvindo sua voz”, agradecendo à Câmara por ter respaldado a manutenção de seu mandato na votação anterior.
Líderes do PL — o partido de Zambelli — caracterizaram a renúncia como uma decisão estratégica, com o objetivo de “abrir espaço para que ela possa seguir sua defesa e buscar outras frentes jurídicas”, segundo o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
Quem assume a vaga
Com a renúncia, o suplente de Zambelli, o deputado Adilson Barroso (PL-SP), foi convocado para tomar posse na Câmara dos Deputados. Barroso já havia exercido mandato parlamentar anteriormente e retorna à Casa com essa nova nomeação.
Adilson Barroso | Foto: Divulgação
Repercussões e próximos passos
A saída de Zambelli está inserida em um momento de forte tensão entre o Congresso Nacional e o Judiciário. A decisão da Câmara de negar a cassação havia sido vista como sinal de resistência de parte da base aliada ao governo contra as decisões do STF. Por outro lado, setores da sociedade e de partidos de oposição criticaram a renúncia como uma manobra para contornar a atuação judicial.
Embora Zambelli tenha deixado o mandato, sua situação jurídica continua complexa: além da condenação principal relacionada ao caso CNJ, a parlamentar já enfrenta limitações em seus direitos políticos, e os desdobramentos legais continuam sendo acompanhados tanto no Brasil quanto na Itália, onde tramita o processo de extradição solicitado pelo STF.



































































