O que uma Assembleia Legislativa pode fazer além de aprovar leis e fiscalizar o governo? No Espírito Santo, essa pergunta ganhou espaço na gestão de Marcelo Santos (União Brasil), que procurou ampliar a presença do Parlamento nos municípios por meio de programas voltados à agricultura familiar, à proteção da infância e à formação política. Agora, o presidente da Assembleia Legislativa disputa uma vaga na Câmara dos Deputados e coloca essa experiência no centro de sua candidatura.
Aos seis mandatos como deputado estadual, Marcelo acrescenta uma trajetória de articulação com prefeitos, vereadores, representantes do setor produtivo e lideranças de diferentes partidos. Eleito por unanimidade para presidir a Assembleia, o parlamentar apresenta o diálogo institucional e a aproximação com os municípios como características de sua atuação.
A passagem da política estadual para o Congresso, no entanto, representa uma mudança de escala. Em Brasília, a atuação parlamentar envolve negociações nacionais, disputas orçamentárias e decisões que afetam realidades muito diferentes das encontradas no Espírito Santo.
Da tribuna à agricultura familiar
Entre os projetos associados à gestão de Marcelo, o Arranjos Produtivos é um dos que melhor ilustram a proposta de aproximar o Legislativo das demandas municipais.
Voltado ao fortalecimento da agricultura familiar, o programa combina assistência técnica, distribuição de mudas e incentivo à diversificação da produção. A iniciativa alcançou diferentes regiões capixabas e passou a integrar a agenda de desenvolvimento regional da Assembleia.
O projeto também recebeu reconhecimento nacional no Prêmio Assembleia Cidadã, promovido pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale).
A experiência levanta uma questão sobre o papel das instituições legislativas no desenvolvimento econômico. Tradicionalmente associadas à elaboração de leis e à fiscalização do Executivo, as assembleias também têm desenvolvido iniciativas de cooperação com municípios e organizações da sociedade civil.
O alcance dessas ações, porém, não deve ser medido apenas pelo número de municípios atendidos ou de produtores beneficiados. Sua continuidade e seus efeitos sobre a renda e a produtividade rural são indicadores igualmente importantes para avaliar os resultados.
Transparência e proteção social
A agenda administrativa apresentada por Marcelo também inclui a modernização institucional. Em 2024 e 2025, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo recebeu o Selo Diamante do Programa Nacional de Transparência Pública, coordenado pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).
O reconhecimento integra o balanço de sua gestão, ao lado de iniciativas voltadas à comunicação pública e à ampliação da presença institucional do Legislativo no interior do estado.
Na área social, a Assembleia desenvolveu o Guardiões da Infância, programa voltado à capacitação de profissionais para identificar situações de violência contra crianças e adolescentes e contribuir para o funcionamento da rede de proteção.
Outra iniciativa foi a Escola de Formação Política para Jovens, concebida para estimular o conhecimento sobre as instituições democráticas e a participação das novas gerações na vida pública.
São projetos de naturezas distintas, reunidos pela proposta de ampliar a atuação institucional da Assembleia. Seus resultados, entretanto, dependem de fatores como continuidade administrativa, cooperação entre órgãos públicos e avaliação de impacto.
Os números de uma nova disputa
A eleição federal representa uma mudança na trajetória eleitoral de Marcelo. Em 2022, ele conquistou 41.627 votos para deputado estadual, resultado que garantiu seu sexto mandato.
A votação ficou a menos de 12 mil votos da registrada individualmente por cinco dos dez deputados federais eleitos pelo Espírito Santo naquele ano. A comparação oferece uma referência sobre seu desempenho anterior, embora as eleições estaduais e federais apresentem dinâmicas distintas.
O cenário eleitoral também passou por alterações. Helder Salomão (PT), que recebeu 120.337 votos para deputado federal em 2022, disputa o Governo do Estado. Sua ausência da corrida pela Câmara modifica o conjunto de candidaturas, inclusive em Cariacica, município ligado à trajetória política dos dois parlamentares.
Marcelo concorre pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP). A composição reúne outros nomes da política capixaba, entre eles Da Vitória, Bruno Resende e Messias Donato.
A eleição para deputado federal segue o sistema proporcional. Isso significa que a distribuição das dez cadeiras do Espírito Santo dependerá tanto da votação individual dos candidatos quanto do desempenho coletivo dos partidos e federações.
O desafio de transformar experiência em atuação nacional
A campanha de Marcelo apresenta a gestão da Assembleia como referência para uma eventual atuação na Câmara dos Deputados. O argumento reúne resultados administrativos, projetos de alcance municipal e experiência de negociação política.
O Congresso, contudo, possui atribuições e condições de funcionamento diferentes das de uma assembleia estadual. A elaboração do orçamento federal, a fiscalização do governo nacional e a negociação de políticas públicas entre estados exigem uma atuação que ultrapassa as relações políticas construídas no Espírito Santo.
É nesse contexto que a candidatura de Marcelo Santos será submetida ao eleitorado. Mais do que a comparação entre votações anteriores ou o reconhecimento recebido por sua gestão, a disputa coloca em discussão quais propostas e experiências os candidatos pretendem levar à representação federal.
No domingo, 4 de outubro, os eleitores capixabas definirão a composição de sua bancada na Câmara dos Deputados e quais projetos políticos terão representação em Brasília.


































































