O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) deflagrou, nesta sexta-feira (11/09), a Operação “Bacharéis do Crime”. A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Norte (GAECO-Norte), em conjunto com a Promotoria de Justiça Criminal de Linhares e com o apoio da Assessoria Militar do MPES.
A operação resultou na prisão temporária de quatro investigados e no cumprimento de medidas de busca e apreensão. Três mandados de prisão foram cumpridos no município da Serra, e o quarto, em uma unidade prisional da Grande Vitória (ou seja, o apenado recebeu novo mandado de prisão). O caso tramita sob sigilo judicial para assegurar as apurações em andamento.
A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de praticar estelionatos e outros crimes contra o patrimônio. Para aplicar os golpes, os investigados usariam indevidamente nomes, fotografias e outras informações de advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
As medidas foram autorizadas pela Justiça. As buscas tiveram como objetivo recolher celulares, computadores, documentos, registros financeiros e outros materiais que possam ajudar a esclarecer os fatos, identificar a atuação de cada investigado e descobrir se há outras pessoas envolvidas.
Perfis falsos
De acordo com a investigação, os suspeitos criavam perfis falsos e utilizavam nomes, fotografias e imagens de escritórios de advocacia para fazer com que as abordagens parecessem verdadeiras. Os contatos eram realizados principalmente pelo WhatsApp. Nas mensagens, os suspeitos se passavam por advogados ou funcionários de escritórios.
As vítimas recebiam informações falsas de que haviam vencido uma ação judicial ou de que tinham valores disponíveis para receber. Em seguida, os suspeitos solicitavam o pagamento de supostas taxas, custas processuais ou despesas administrativas, geralmente por meio de transferências via Pix.
Para pressionar as vítimas, o grupo criava um falso senso de urgência, fazendo com que acreditassem que precisavam realizar os pagamentos imediatamente.
As diligências também apontaram que os investigados mantinham vínculos familiares e afetivos e compartilhavam linhas telefônicas e contas bancárias usadas nos golpes. Ao longo da investigação, foram identificadas 42 linhas telefônicas, 13 endereços de e-mail e diversas chaves Pix relacionadas aos suspeitos.
Em outro caso investigado, os suspeitos criaram um perfil falso em nome de um advogado. Nesse perfil, também foi utilizada, sem autorização, a fotografia do filho do profissional. Os responsáveis divulgaram a informação falsa de que a criança estaria com leucemia e solicitaram doações para um suposto tratamento médico. Porém, o advogado confirmou ao MPES que seu filho nunca teve a doença.
O MPES ressalta que os advogados mencionados na investigação são vítimas das fraudes, assim como seus clientes.
Dessa forma, o nome da operação “Bacharéis do Crime” faz referência à forma de atuação atribuída ao grupo, cujos integrantes se apresentavam como advogados para aplicar os golpes, utilizando indevidamente a identidade de profissionais da área jurídica.




































































